Encontrar tempo para sentar e escrever coisas aleatórias — às vezes com um sentido tão pessoal que as torna ainda mais aleatórias — tem se tornado cada vez mais difícil. A vida passa depressa, e a sensação que tenho é de que ela vai se esvaindo em um ritmo acelerado demais.
Numa retrospectiva rápida, chego à conclusão de que muito do que havia planejado anos atrás caiu no esquecimento. Muitos desejos ficaram guardados na gaveta, e um leve sentimento de frustração me invade quando penso nisso. No entanto, costumo acreditar que esses desejos adormecidos abriram espaço para novas coisas, para outras aventuras que, às vezes, nem sequer estavam no radar — e essa é a magia.

Sinto que hoje estou em um lugar de desconforto, longe daquilo que me é familiar, que me traz acalento e me preenche. Tem sido assim nos últimos anos. Quando penso em viagem, penso exatamente nisso: um lugar de desconforto, um enorme desejo de voltar — sem saber para onde, sem saber por quê. Já devo ter falado sobre isso aqui em algum momento: quando você sai pela primeira vez de “casa”, é como se ficasse fragmentado. Cada parte sua permanece em um lugar diferente, e você já não consegue se reencontrar por completo. Faz sentido?
Sobre o tempo… ahhhh. Só me faz ter a certeza de que estou cansado. Cansado de tentar, cansado de errar… e de acertar também. Cansado de expectativas e frustrações. Mas, no fundo, sinto que um ou dois passos para trás não significam fraqueza — significam vontade. Vontade imensa de fazer dar certo, de seguir conquistando, de continuar inspirando. Quem? Não sei. Talvez a mim mesmo. Afinal, quem não se inspira na própria história, se ela for genuína, talvez não esteja fazendo da maneira certa.
