Seguindo viagem e o nosso próximo destino foi La Coruña, ou simplesmente Corunha, em português. É a maior cidade da região da Galiza, e o segundo município mais populoso depois de Vigo, no sul da província de Pontevedra. Passamos um dia aqui e conseguimos estacionar o motorhome em um lugar com todos os serviços, próximo a costa, mas um pouco longe das praias. Assim como todos os lugares que estivemos durante essa viagem, fomos muito bem acolhidos pela cidade e pelas pessoas, passamos por boas estradas e tivemos um sentimento de segurança que foi muito confortante.

As ruas do centro e da Cidade Velha estão repletas de cafés e tabernas. Olmos, Galera, A Franxa ou A estrela são “calles” famosas pelas suas tabernas, e as esplanadas da praça de María Pita também são populares. Durante a noite o movimento aumenta justamente pela grande oferta de bares, mas devido a pandemia não vimos tanta gente assim, e as pessoas que circulavam por lá estavam seguindo as regras do governo, uso obrigatório de máscara, distanciamento. Parabéns de novo para o povo espanhol!



Diferente de Santiago, que fica aproximadamente 80km de distância de Coruña, o clima estava super agradável, não tivemos um dia ensolarado e quente como era de se esperar em pleno mês de agosto, mas não choveu, o que já é muito bom para quem está de viagem. No verão as temperaturas máximas são elevadas, podendo atingir valores acima dos 30 °C, já no inverno as temperaturas máximas são amenas, mas as mínimas são muito baixas, podendo atingir valores abaixo de 0 ºC.
Houve um lugar muito especial que conhecemos, uma praia onde circulavam pouquíssimas pessoas, e a Torre de Hercules. Essa torre, com 68 metros de altura, é o monumento nacional mais antigo e representativo de Coruña, o único farol romano que existe no mundo e que continua cumprindo sua função. Em 27 de junho de 2009 foi classificada como Património da Humanidade pela UNESCO.


Há muitas lendas desse lugar, uma delas conta que Hércules chegou de barco às costas que rodeiam atualmente a torre e que foi, exatamente ali, o lugar onde enterrou a cabeça do gigante Gerião, depois de vence-lo em combate. Outra lenda diz que a torre foi construída por um irlandês, cujo nome era Breogán e que se filho havia avistado a Irlanda pela primeira vez de cima dela. É um lugar bastante turístico lá, a vista de toda a cidade de Coruña é incrível e ficar sentado olhando para o mar, sentindo o vento bater no rosto é uma sensação inexplicável.

É muito engraçado as sensações que sentimos quando estamos viajando, conhecendo lugares novos. Por mais simples que sejam os passeios, sempre conseguimos tirar coisas boas deles, principalmente aqueles sentimentos que não é possível transmitir em fotos e nem em textos e que ficam guardados para sempre dentro da gente. Ver um lugar assim, como dessa foto onde estou sentado em uma rocha, te obriga a parar e refletir que estamos aqui de passagem. O que mais me pega nessas horas é aquela sensação de que você não pertence a lugar nenhum, que uma vez que a gente sai do nosso conforto, da nossa casa, e quando digo isso me refiro ao Brasil, as coisas mudam para sempre. Por mais confortável que estejamos em um lugar, esse lugar é muito pequeno para aquilo que você quer, para aquilo que você busca. No meu caso, ainda não encontrei o meu lugar. Sigo buscando.
