Santiago de Compostela – Viagem de motorhome em Espanha

Depois de alguns meses de planejamento, finalmente saiu a nossa primeira experiência duradoura vivendo no motorhome. Partimos no domingo, dia 16 de Agosto de 2020, tendo como primeira paragem a cidade de Santiago de Compostela. Era uma cidade que eu sempre quis conhecer, aliás, eu e uma boa parte da população da Europa. Fica na região da Galicia, em Espanha, e pertence a província de Corunha, com cerca de 100 mil habitantes. É internacionalmente famosa como um dos destinos de peregrinação cristã mais importantes do mundo, cuja popularidade possivelmente só é superada por Roma e Jerusalém.

Chegamos por volta das 18 horas, numa viagem tranquila de mais ou menos umas 4 horas. Fizemos as compras de comida para esses 15 dias de ainda em Portugal com o intuito de economizar um pouco, partindo do princípio de que alimentação aqui é mais barata. A verdade é que, depois de alguns dias viajando, consumindo no comércio local e fazendo uma análise bem crua, posso dizer que não compensou.

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Foto tirada em frente a Catedral de Santiago de Compostela

Chegamos debaixo de chuva, durante todo o tempo em que ficamos por lá, a chuva não deu trégua, parava e voltava a todo momento. Fomos obrigados a comprar duas capas de chuva para poder conhecer a cidade. A Catedral fica mesmo na região central, onde passam milhares de peregrinos e turistas o ano todo. Eu imagino que para as pessoas que fazem os caminhos de Santiago, seja uma emoção muito forte chegar neste local, e sentimos isso olhando para as dezenas de turistas que estavam ao nosso redor. Um dia, quem sabe, eu resolva fazer essa aventura a pé.

Usamos sempre o aplicativo parking4night para encontrar um lugar bom para dormir, na maioria das vezes temos sorte. Ficamos próximo a Universidade junto com mais dois motorhomes e passamos a noite super tranquilos. Entretanto se pesquisar direitinho você encontra outros lugares mais próximos do centro para estacionar, eu é que não gosto de circular com o carro quando não conheço o local.

Sempre o que me chama muito a atenção nessas viagens é o comportamento das pessoas, a maneira como falam, como andam na rua, a arquitetura e a qualidade de vida local. Em Espanha, todos falam castelhano, porém cada região tem o idioma local predominante. Neste caso, em Santiago de Compostela, por pertencer a Galicia, eles falam Galego. Confesso que fiquei um pouco confuso, eu domino o castelhano, e penso que seja isso que me faz ter um carinho especial pela Espanha, mas quando tive que me comunicar com eles, foi complicado. O galego é uma mistura do castelhano com o português, muitas palavras são mesmo idênticas as nossas, logo eu não sabia quando falava em português, quando treinava o castelhano e deu um tilt na minha cabeça em alguns momentos, literalmente.

Se você gosta de caminhar por grandes parques, bem cuidados, em uma cidade segura, tem que conhecer Santiago. Nós que somos brasileiros, fica inevitável não fazer comparações com o Brasil e Portugal onde vivemos, quando você vê espaços públicos onde te dá vontade de montar uma barraca e ficar por ali, bate logo uma tristeza de pensar que viemos de um país lindo, mas que infelizmente não é assim. Aqui vemos o civismo nas pessoas, a responsabilidade social de cuidar da natureza e o investimento do governo em manter tudo organizado. A Europa no geral é bem antiga, quando você chega em lugares assim a impressão que dá é de que você anda por museus a céu aberto, respirando história e voltando no tempo. Eu não sou daqueles turistas conhecedores da história local ou aqueles que fazem uma pesquisa profunda do local, prefiro apenas ir, com algum conhecimento, claro, mas ir com vontade de descobrir, de me surpreender e nunca pesquisar tanto. O encanto do novo para mim é o que torna a viagem especial.

Sobre as comidas típicas do local, não tivemos muito tempo de conhecer. A única coisa que comemos foi a tarte de Santiago. Entramos em um cafézinho e perguntamos o que tinha de típico para provar e logo nos ofereceram esse bolo. Um dos ingredientes principais da torta é a amêndoa, que se mói e mistura com ovo, farinha e açúcar, que se aromatiza com canela e raspadura de limão, para ser posteriormente introduzida no forno. Não se sabe nada sobre o consumo de amêndoa na Galiza durante a Idade Média, mas sabe-se que a escassez deste alimento converteu-o num luxo reservado a poucos. Uma delícia!

Partimos no dia seguinte logo após o café da manhã. Um novo destino, novas histórias e novas memórias. Penso que durante a semana, Santiago de Compostela deve ter outra vibe, principalmente pela universidade que atrai muitos jovens, movimentando ainda mais o grande centro. Valeu a pena a paragem.

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