Há algum tempo venho pensando sobre a vida aqui em Portugal e até aonde ela vale a pena. Vejo muitos comentários de pessoas que vivem aqui e de outros que gostariam de sumir do Brasil direto para a Europa, e me pego muitas vezes tentando entender o motivo pelo qual querem vir. Chego a conclusão de que muitos buscam por uma fuga, e isso vai além da vida agitada que temos lá, seja por falta de educação, saúde e segurança, vai muito além. Quando digo vida agitada me refiro a frustrações da vida pessoal de cada um que fazem com que essa pessoa queira sair do lugar onde está. A melhor maneira de “resolver” um problema, é fugindo dele. Mas enfim, vou falar de mim.
Em dezembro desse ano completo 3 anos que estou em terras portuguesas, foi o tempo suficiente para desenvolver uma ansiedade que até então era desconhecida para mim. De fato parece que aqui os problemas não existem, principalmente se você vem de uma cidade grande como São Paulo por exemplo, meios de transportes lotados, tudo demorado, medo de ser assaltado, são coisas que você nem lembra. E sim, você chega no paraíso. E não é fantasiando não, basta você parar um pouco e começar a reparar no estilo de vida que leva aqui e como era sua vida lá. Para alguns isso pode ser bom, para outros (EU), nem tanto.
Não é reclamando do que eu tenho, Portugal te oferece coisas que jamais conquistaria no Brasil, porém as vezes me falta algo, me falta aquele sentimento de sobrevivência que nos faz sentir vivos. Acho que por isso hoje me defino como uma alma inquieta, que precisa estar em constante mudança, em constante evolução, em busca de novos desafios, novas metas e novas conquistas. E assim venho tentando fazer desde que cruzei o oceano.

Os primeiros seis meses é aquela loucura. Uma correria para se estabilizar, encontrar um trabalho razoavelmente bom, começar a gastar em euros, comprar roupas de inverno, provar uma comida diferente, se adaptar com o sotaque português e por aí vai. Os meses seguintes a preocupação maior é conseguir todos os documentos para conseguir se manter legal na Europa, que por sinal é a parte mais complicada de todo processo. Mas cara, quando passa tudo isso, você quer mais. Sabe aquela sensação de matar um leão por dia? Pois é, aqui EU não sinto isso. Meus leões são pensamentos que decido enfrentar para me sentir ativo.
Eu sei, isso é culpa minha. Quase sempre é culpa nossa. Nós é que nos deixamos acomodar e desistimos de sair da zona de conforto sempre que uma nova meta é mentalmente estabelecida. Meu maior defeito é sempre esperar resultados rápidos, e é nisso que peco. Nada, absolutamente nada acontece de repente. Se você planta uma árvore, ela só vai dar sombra passado muito tempo, não é do dia para a noite. Me custa pensar assim.
Portugal é o lugar ideal para você envelhecer, a qualidade de vida aqui para os idosos é tudo e mais um pouco, costumo dizer que eles vivem até os 150 anos. Para nós, jovens, precisamos sempre estar em busca de algo novo, não deixar-nos acomodar no estilo de vida português onde o que é perfeito é tomar o seu cafézinho no boteco da esquina. É preciso estar em constante evolução e nunca desistir de sonhar, caso contrário você fica estacionado, estagnado, sem perspectiva… E pior, começa a sentir saudade de pegar aquele trem lotado que tanto odiava.
