Poucos minutos passados da meia noite de um domingo, ou seja, segunda-feira e uma nova semana começa. Para muitos mais um semana de trabalho, para outros de luta, para outros de férias… Férias, talvez sim, talvez não. Difícil pensar em férias quando milhares de pessoas estão mo
Estou aqui em Portugal e isso de certa forma é um alívio, eu particularmente pouco senti os efeitos e devastação que esse vírus (não sei em que momento você vai ler isso, mas refiro-me ao COVID-19) vem causando. Aqui de longe observo o que está acontecendo no Brasil e na sociedade em geral e me assusta um pouco. Como eu disse, a minha vida pouco mudou com a quarentena, minha rotina praticamente continuou igual, não perdi meu trabalho e o que tive que me acostumar foi o fato de ter que usar essa maldita máscara que me tapa o nariz e a boca e as vezes ataca minha rinite de uma maneira que me faz querer arrancá-lo fora. Entretanto, vejo a vida de muitas pessoas de cabeça para baixo. Não diretamente, porque as pessoas aqui são mais reservadas e não gostam muito de falar sobre seus problemas, e nesse caso, eu imagino.
Hoje pela primeira vez após o término do isolamento fui ao shopping. Até pensei que estaria normal, com lojas cheias, pessoas animadas comprando e gastando o que supostamente conseguiram economizar nesse período, porém vi com outros olhos. Voltei para casa com a sensação de que, por mais que não estejamos mais em estado de emergência, esse ano está longe de voltar a ser um ano normal. Muitas lojas estavam fechadas, outras com horários reduzidos e a maioria com meia dúzia de funcionários trabalhando. Por mais que o shopping estivesse aberto, não estava com nem a metade do movimento habitual. Vejo as pessoas ainda com medo, e com razão. Algumas mudanças de hábitos me chamou a atenção, como por exemplo álcool em gel disponível em todas as lojas e fiscalização para manter a segurança, além das pessoas preocupadas em cumprir tudo certinho. Pensar em um país que, por mais que seja considerado de primeiro mundo, não oferece água portável nos shoppings e demais estabelecimentos, isso já é um grande avanço. Vamos torcer para que isso se mantenha. Duvido!
Sinto que o verão que se inicia aqui não será o mesmo para muita gente. Penso no dono da balada que não vai poder abrir, no restaurante que precisa atender só com a metade da lotação, nos hotéis que não vão receber os turistas de outros países dispostos a gastar a suas libras, e penso também na prostituta que depende destes turistas para sobreviver. É, não será um ano fácil. Agora pouco sentado aqui no meu sofá, abri os stories do Instagram e comecei a passar como de habitual. Um rapaz espanhol que vive em Barcelona sempre posta coisas, mas nunca aparece falando qualquer coisa, até hoje. O relato era sobre uma agressão que havia sofrido no dia anterior em um lugar supostamente tranquilo. Dois caras o abordaram para roubar o seu telemóvel e o agrediram. Ele mostra as marcas que ficaram no seu pescoço e conta um pouco de como foi que conseguiu recuperar o seu Iphone no dia seguinte. Viva a tecnologia! Enfim, no final ele faz uma análise da sociedade atual frente ao coronavírus e para esses ladrões de telefones e batedores de carteiras também não deve estar sendo fácil, e o pobre do moço coitado, nem ajuda conseguia pedir pois as ruas estavam desertas. E o alerta era, não ande sozinho, mesmo que seja nos lugares habituais.
Essa fase que estamos vivendo vem mexendo com a vida de muitas pessoas. Muitos pensamentos que antes EU não tinha por exemplo, passei a tê-los (esse sim foi um efeito marcante do isolamento para mim). Se isso é bom ou ruim ainda não sei, o mais difícil é tentar organiza-los na minha cabeça e seguir em frente, planejando, sonhando, realizando e tentar não ficar preso como uma âncora e um navio apodrecendo. É tempo de renovar.
