Acho que todo mundo que decide sair do Brasil para viver em outro lugar, em algum momento desse percurso bate aquela insegurança, aquela sensação de dúvida de estar ou não fazendo a coisa certa, estar no caminho certo e se realmente estamos onde desejamos estar. Essa é a regra fundamental da aventura, é você saber onde está e onde quer chegar. Quando você se perde no caminho, perde também a vontade de continuar, tudo se torna estranho e te leva a olhar para as coisas com uma certa solidão e nostalgia.
Esse momento de isolamento em que estamos vivendo mexe com tudo isso, a nossa cabeça por mais que tenhamos um foco, tenta sempre nos levar para outras direções que por vezes parecem as mais acertadas. Estar sempre ligado em redes sociais e em outras vidas que não é a tua torna a caminhada ainda mais difícil, porque qualquer lugar vai ser melhor quando você está insatisfeito, quando você não consegue encontrar um sentido para aquilo que está fazendo. Sabe aquele ditado “a grama do vizinho é sempre mais verde”, pois então, por vezes é importante dar um tempo para conseguir oxigenar, renovar, reorganizar os sentimentos.

Nesses quase quatro anos vivendo em Portugal, já tive momentos muito felizes, sonhos e planejamentos à flor da pele, e certeza de onde quero estar e para onde quero ir, entretanto nesses últimos dias a dúvida bateu na minha porta e se instalou de uma maneira que me vejo de braços cruzados esperando a vida passar. Eu quero entender esse sentimento como normal dessa fase, e tenho a certeza que muitas pessoas estão sentindo o mesmo, mas quando paro para pensar nisso, minha cabeça viaja direto para o Brasil, lugar onde posso chamar de casa, na esperança de encontrar lá a felicidade que busco aqui, porque afinal de contas, nunca estamos 100% bem em lugar nenhum.
Chego a conclusão de que, por mais que o nosso país de origem tenha todos os problemas sociais que conhecemos, ainda é o melhor lugar do mundo para viver. E quando pensamos em voltar para casa, é para lá que queremos ir, é lá que nos sentimos pertencentes de uma nação, nos sentimos acolhidos. Não quero nem estou sendo hipócrita em dizer que tudo é perfeito, o que quero dizer com isso é que quando estamos longe e descontentes, cometemos o erro de lembrar somente das coisas boas que tínhamos e acabamos esquecendo os motivos pelo quais decidimos partir. O engraçado de ser imigrante é justamente isso, você precisa viver em outro lugar para perceber as belezas que temos no Brasil e a grandiosidade da nossa cultura.
Ainda tenho alguns planos e sonhos por realizar aqui e por isso me mantenho firme e forte na caminhada, tentando não deixar esses sentimentos de fraqueza me dominar, mas hoje, se eu pudesse…
